Cibersegurança com IA: Ataques Aceleram, Defesa Reage Lento
A inteligência artificial está acelerando os ataques cibernéticos e criando um novo desafio para as empresas: responder às ameaças na mesma velocidade em que elas evoluem. Enquanto a IA permite automatizar e personalizar ofensivas, a defesa ainda depende, em muitos casos, de análise, validação e decisão humana. Essa diferença amplia a janela de exposição das organizações.
Mais orçamento, mas não necessariamente mais resposta
Segundo o estudo Cybersecurity Reinvented: When AI Plays Both Sides, da Softtek, 77% das organizações aumentaram seus orçamentos de cibersegurança em 2025. Desse grupo, 30% ampliaram os gastos entre 6% e 10%, e 8% elevaram os investimentos em mais de 15%. O problema é que boa parte dos recursos continua concentrada em ferramentas e controles, enquanto o grande desafio está em detectar, decidir e agir antes que o ataque avance.
IA amplia escala e velocidade dos ataques
Para 42% dos participantes, o phishing impulsionado por IA é mais eficaz do que o tradicional. O estudo aponta que a tecnologia permite realizar mais de 100 ataques personalizados por hora, de forma contínua e adaptável.
Nuvem amplia a superfície de exposição
Nos 12 meses anteriores à pesquisa, 93% das organizações migraram cargas de trabalho para a nuvem. No mesmo período, a proporção de empresas que relataram violações significativas envolvendo a nuvem saltou de 24% para 61%. Entre as indústrias, 40% sofreram ataques ligados à convergência entre tecnologia operacional (OT) e tecnologia da informação (IT). As redes foram apontadas como o ambiente mais difícil de proteger (31%), seguidas por identidade (29%), nuvem (16%), dispositivos (15%) e cargas de IA (10%).
Defesa em velocidade de máquina
Enquanto ataques automatizados podem completar etapas em minutos, a detecção humana pode levar dias. Segundo o levantamento, o uso de IA e automação na defesa pode reduzir em até 80 dias o tempo de resposta e em US$ 1,9 milhão o impacto financeiro de uma violação.
Quatro frentes para evoluir
• Zero trust e verificação contínua de identidade
• Automação defensiva e operações em velocidade de máquina
• Resiliência por design, para manter a operação durante incidentes
• Criptografia preparada para o cenário pós-quântico
A mensagem do estudo é que a segurança precisa deixar de ser apenas reativa e passar a fazer parte da estrutura e da continuidade do negócio. Para empresas que lidam com dados financeiros e fiscais, essa preocupação deve estar no centro da gestão de riscos.